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sábado, 19 de março de 2011

A Tabira, cidade maravilhosa


A Tabira, cidade maravilhosa
Poço de poeta, poço de escritura
Poço de pecado e também de candura
Comparo a um jardim de rosa cheirosa
Sempre que se agua é sempre charmosa
Se queres mata-la, basta não cuidar
Pois tanta cultura tem que cultivar
Quem hoje cultiva não ta arrependido
E sabe que deu o valor merecido
Nos dez de galope na beira do mar


A Tabira, cidade maravilhosa
Tem muito valor sua tradição
Aprende-se muito na 'visitação'
Ao ver a beleza da terra honrosa
Poetas, cantadores, mesa de glosa
Até impossivel não se apaixonar
Quem sai logo volta, quem vem quer ficar
Sou um testemunho dessa sua magia
Mais um que prefere trocar maresia
Por essa cidade tão longe do mar

Igor Filgueira

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

"Meu Quarto Baú de Rimas"

Após sucesso do lançamento do quarto livro “Meu Quarto Baú de Rimas”, do poeta Dedé Monteiro, em Recife, promovido pela editora Bagaço, e das homenagens no 3º Pajeú em Poesia, que aconteceram nesse final de semana, o poeta prepara-se para mostrar seu mais novo trabalho no interior do estado.


Dia 06 de Janeiro o lançamento acontecerá em de Afogados da Ingazeira, no Cine Teatro São José e no dia 08 do mesmo mês no Marcelo´s Bar em São José do Egito.


As informações foram dadas pelo próprio poeta em entrevista a Anchieta Santos na Rádio Cidade FM. Esperamos todos lá, prestigiando nosso grande poeta.


Perguntei ao mesmo sobre o lançamento em sua cidade natal (Tabira – PE) ele disse que está sendo agendado a data junto com a APPTA, a Associação dos Poetas Prosadores de Tabira, cujo poeta faz parte.

Júnior Guedes

3º Pajeú em Poesia

O poeta tabirense Dedé Monteiro foi homenageado no 3º Pajeú em Poesia que aconteceu nesse sábado passado em Afogados da Ingazeira, o evento contou com a presença do violonista Edierck José, os cantadores Diomedes Mariano, João Paraibano e Sebastião Dias, os declamadores Chico Pedrosa, Dudu Morais, Zé de Mariano, Albino Pereira, Felipe Júnior, Gonga Monteiro, Paulo Monteiro, Felipe Amaral, Júnior Guedes, Lúcio Luiz, dentre outros.

O evento, organizado por Alexandre Morais (Poeta e jornalista do blog Cultura Coisa e Tal), acontece todo ano e traz como principal tema a poesia sertaneja, cantada e declamada por cantadores, declamadores e admiradores da cultura popular.

Veja algumas fotos do evento:

Alexandre Morais (idealizador do Evento), Paulo Henrique (neto de Dedé Monteiro) e Dedé Monteiro (homenagado da noite)


Violeiros Sebastião Dias, João Paraibano e
Diomedes Mariano


Chico Pedrosa (poeta)


Edierck José (músico afogadense)



Gonga Monteiro (poeta tabirense e irmão de Dedé Monteiro)


Felipe Jr. (poeta egipciense)



Albino Pereira (poeta tabirense)


Zé de Mariano (poeta tabirense)

Paulo Monteiro (poeta tabirense e irmão de Dedé Monteiro)


Dudu Morais (poeta tabirense)


Lúcio Luiz (poeta afogadense)


Júnior Guedes (poeta e sobrinho de Dedé Monteiro)


Fotos: Claudio Gomes


O evento ainda contou com um vídeo onde o neto de Dedé Monteiro, Paulo Henrique, declama a história do poeta, mostrando uma coleção de fotos saudosas. Quando tiver acesso ao video postarei aqui.

Júnior Guedes

terça-feira, 28 de setembro de 2010

NOVA POÉTICA

Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Poeta sórdido:
Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito,
Saí um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada, e na primeira esquina passa um caminhão, salpica-lhe o paletó ou a calça de uma nódoa de lama:
É a vida

O poema deve ser como a nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.

Sei que a poesia é também orvalho.
Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas, as virgens cem por cento e as amadas que envelheceram sem maldade.

-Manuel Bandeira-

domingo, 22 de agosto de 2010

Falando do “Cálice”

Eu já havia postado uma poesia anteriormente, mas hoje vou postar a primeira poesia sertaneja. De um poeta lá de minha terra, Tabira-PE, chamado Dedé Monteiro. Lá vai:

Falando do “Cálice”
(interpretando Chico Buarque e Gil)

Este poema de Gilberto e Chico,
Feito no tempo do “CALE ESSA BOCA”,
Foi um protesto corajoso e rio
Contra o regime da vergonha pouca

Ninguém dizia nada que pensava
E nem cantava tudo o que sentia...
A voz da farda nossa voz calava
E o nosso grito, sem nascer, morria.

A Ditadura, que ditava tudo,
Ditava dos versos da canção do povo...
E ai da cabeça do civil miúdo
Que aparecesse de poema novo...

Naquele tempo negro e negativo,
Eis, em resumo, o que amargava mais:
Beber o “CÁLICE” (substantivo)
E ouvir o verbo: “CALE-SE”, rapaz!...

Aquele monstro que saiu da pena
De quem compôs esta poesia outrora
Retrata a nossa liberdade plena
Que está saindo da lagoa agora!

A porca gorda e a faca cega e injusta,
Que estão, ainda, a se exibir na praça,
São os corruptos que enricaram à custa
Da fome enorme que a pobreza passa!

Que a porca morra, que a faca se quebre
E as vozes presas ganhem liberdade
Pra que, pra sempre, a multidão celebre
A volta eterna da felicidade!

Tabira, Novembro/90

MONTEIRO, Dedé. Mais um baú de retalhos. Ed. Universitária UFPE. Recife, 1995.

sábado, 10 de julho de 2010

Tecendo a Manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro: de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

(João Cabral de Melo Neto)




MAIS UMA INTERPRETAÇÃO:

Vemos nos versos de João C. de Melo Neto (o poeta engenheiro) a essência dos sonhos, das utopias. Com um só não se faz à manhã, ou melhor, com "um só não faz o amanhã", ou seja, o ideal que nos vem contra um regime individualista que priva os homens (personificado no poema com os galos) de se beneficiarem igualmente das oportunidades e dos bens (os raios do Sol).

Com a união entre os homens (canto dos galos) surge à teia. A teia que une de tão forma que se transforma em uma tenda que, por sua vez, acolherá a todos sem privar ninguém de ver os raios brilhantes do Sol.